Lusa Eleições:
O apelo era para a abstenção na assembleia de voto de Fervença, Mondim de Basto, mas logo às 08:08 Joaquim Peixoto fez questão de ir exercer o seu direito porque diz que as eleições "não têm nada a ver com a estrada" local por concluir.
A ideia era que os eleitores das aldeias do Barreiro, Varzigueto, Assoreira e Fervença, freguesia de Ermelo, se abstivessem nas legislativas em protesto por causa de 800 metros de estrada de ligação a Vila Real que reivindicam há vários anos.
Só que Joaquim Peixoto, 73 anos, sempre votou em todas as eleições e por isso, logo pela manhã, quis ir "deitar o voto", até porque "é importante mudar" de Governo, "para melhor ou para pior".
Além do mais, acrescentou, "as eleições não têm nada a ver com a estrada", apesar de dizer que também defende a conclusão desta via.
Uma placa colocada à saída da aldeia do Barreiro, no alto da serra do Alvão, anuncia uma distância de três quilómetros até Lamas de Olo, já no concelho de Vila Real.
São mais de dois quilómetros em alcatrão e cerca de 800 metros em "terra batida e buracos" quase intransponíveis até para veículos todo o terreno.
Por isso, uma viagem que poderia demorar "poucos minutos" tem de ser feita por mais 13 quilómetros pela estrada sinuosa da serra.
A Câmara de Mondim de Basto fez a parte da via que dizia respeito ao seu concelho, disponibilizando-se agora, segundo o presidente da autarquia, Humberto Cerqueira, a ajudar Vila Real a concluir a sua parte.
Alguns populares do Barreiro andaram de "porta a porta" a tentar convencer as aldeias vizinhas a aderiram a este protesto em forma de abstenção, colocando, inclusive, cartazes na rua que sobe para a assembleia de voto de Fervença onde se pode ler "só 800 metros, obrigada" e "as pessoas humildes merecem ser respeitadas".
A mesa de voto destas aldeias fica instalada em Fervença onde, nas autárquicas de 2009, o candidato do PS, António Cunha, matou a tiro de caçadeira o marido da sua adversária política e atual presidente da junta de freguesia de Ermelo, Glória Nunes.
Em julho do ano passado, António Cunha foi condenado pelo Tribunal de Vila Real a 14 anos e meio de cadeia pelo crime de homicídio simples, tendo a sua pena sido agravada em seis meses pelo Tribunal da Relação do Porto.
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